Não gosto de roupa justa, e não é só pelo desconforto, muito menos porque me envergonhe do meu corpo! O problema da roupa justa é que ela estabelece um diálogo muito óbvio com o corpo de quem veste. E a obviedade, sinônimo para a absoluta ausência de mistério, é o pior defeito que se pode admitir quando se trata do corpo de uma mulher! A elegância é o maior valor que uma mulher pode expressar, elegância em seu sentido mais amplo e profundo, que não pode ser confundido com o mero charme. O charme até admite uma dose de vulgaridade, e até mesmo pode vir a ganhar com uma dose dela. A elegância, não, nunca. Ora, não existe beleza altiva, isto é, elegância, na ausência de mistério, pois este implica uma certa distância, ao mesmo tempo em que se vislumbra para quem olha a possibilidade de uma epifania: mistura de surpresa e deslumbramento. E o encontro amoroso é um momento de epifania pagã que deve ser cuidadosamente preparado, e que só deve acontecer na intimidade à dois, no seu devido tempo, quando a mulher se deixa descobrir pelo olhar de seu homem em todos os seus contornosÉ por isso que admiro a sabedoria ancestral que resultou no sari indiano, pois ele combina excelentemente a justeza do corte e, ainda que modernamente admita mais aberturas do que o sari tradicional, faz isso de modo muito sutil e mesmo dissimuladamente. No seu conjunto, dialoga com o corpo da mulher de modo a cobri-lo mais do que oferecê-lo gratuitamente aos olhos passantes, quase sempre ávidos e incultos que não o merecem!












