Me esvaio
de mim
e vou:
amar
o
mar
Sou
como um rio
que
ao fluir
morre
sem jamais cessar
de existir
A imagem que acompanha o texto foi tirada da internet, sem crédito de autoria.
um mergulho...
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| Fotografia de Tomas Rucker |
O hinduísmo tem por princípio que o mundo percebido é ilusão: entre o mundo físico e nossos olhos existem obstáculos à captação das verdadeiras essências, os "véus de Maya". Estudiosos vêem semelhanças entre este ponto da antiga doutrina hinduísta e o "Mito da Caverna" do filósofo grego Platão, texto que narra de modo alegórico a busca pelo verdadeiro conhecimento das essências de todas as coisas, razão suprema da filosofia.
A mulher que nada. A pele do corpo que flutua em contato com a pele de sal, superfície do mar. Superfície contra superfície, pele e mar: carícias, contatos estimulando e ativando profundezas insuspeitas... Emoções varridas pelo vento suave, que encrespa as águas e arrepia o corpo nu. O dorso oferecido ao mistério abissal, o ventre aberto ao sol. Olhos: oclusos. Miram o sonho, o nunca visto, os pré-sentidos do que pode ser apenas pressentido. O grande útero aquático me sustenta, me ofereço, corpo e alma, em terno sacrifício. Existo. Sou. Eu sei? Eu sinto.
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| Vera França |
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| Suzanne por Lautrec |
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| Suzanne Valadon: "Nus" |