quarta-feira, 15 de julho de 2009

Flamenco

Dançar o flamenco é sentir intensamente cada passo, cada momento. No flamenco o corpo vibra com uma violência que é a própria violência da existência, que apenas não sentimos porque o cotidiano nos afasta de nossas mais íntimas pulsões. Sou uma junguiana convicta, mas dou a mão à palmatória a Freud neste ponto: a civilização nos impôs o superego e este nos impõe aquele nível de repressão que torna possível a tal da “civilização”. Que preço a pagar! Então cada um se vira como pode: eu danço o flamenco! Danço o flamenco para me tornar um corpo, para que meus gestos expressem minhas verdades mais íntimas, para que meus pés tomem posse do chão em que piso, para que minha alma alcance as alturas e os abismos, para que o sangue flua.

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